Acontece no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), de 03/05 a 13/07/2008,
a exposição “poetas da cor”. Criada para homenagear Almir Mavignier e Ismael Pedrosa, reúne ainda obras de outros artistas, como Abraham Palatnik (o “pai” do cinecromático), Eduardo Sued e Aluísio Carvão.
“Cor e luz se unem como campos de mutações cromáticas em todas as obras desta mostra. Na exaltação da cor como culminância da experiência da luz, somos remetidos ao poeta-artista Goethe. Toda a sua Doutrina da Cor é uma celebração da vida, da totalidade visível através da luz. Mas não estaria também cada artista como os que aqui reunimos, que se dedica às poéticas das cores, inaugurando sua própria doutrina da luz pela arte? Visitar esta mostra é absorver porções de luz através da arte, ou seja, ser iluminado pelo que forma e se alimenta de luz em nossos olhos, mas, ainda, do que se inaugura pela visão interna de cada artista. Assim como Mavignier e Pedrosa, Dias da Cruz, Sued e Palatnik são regidos e/ou regem sinfonias de cor-luz do ‘in’-visível (visível de dentro) para ser visível? Pois, diante das obras desses artistas, não experimentamos apenas as cores como fenômenos isolados, mas a sinergia das interações das cores no espaço-tempo de cada obra, estas que são as ações e paixões da luz que comandam a razão poética da arte. Não há dúvida: para enxergar a poesia das cores é preciso tomar e ser tomado pela presença ou regência de um olhar iluminado (da luz que modela o olho), o mesmo com o qual esses artistas tornam visível o fenômeno mágico “da totalidade da natureza (que) se revela ao sentido da visão através da cor”. Devemos à luz e à cor da arte a formação do nosso olhar que se inaugura pelos olhares iluminados desses artistas. “
Luiz Guilherme Vergara, Diretor Museu de Arte Contemporânea de Niterói.
Depois de 8 anos sem se verem , Mavignier e Palatnik se reencontraram no MAC. Marvignier , aos 83 anos, veio de Hamburgo, onde mora desde os anos 50, para expor cartazes e telas. Palatnik, aos 80, veio de bem mais perto, de sua casa-ateliê na Urca, onde mora desde 1947 quando chegou de Tel-Aviv, para mostrar suas máquinas de cor e movimento.
A historia dos dois começou no final dos anos 50, no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, bairro do Rio de Janeiro. Criador do Ateliê de Pintura e Modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional do hospital, Mavignier levou o recém-conhecido Palatnik para trabalhar com os doentes mentais. Apesar de estranha a experiência vivida por Palatnik, principalmente ao entrar pela primeira vez na sala dos esquizofrênicos, foi decisiva para que abandonasse a pintura. Chegou à conclusão de que jamais poderia fazer um trabalho tão denso, então decidiu usar seu conhecimento em mecânica, que estudara em Israel, para encontrar seu caminho nas artes.
Vale a pena conferir a exposição.
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