08/05/08 (Artes) by Renato Troccoli

Segundo Márcio Doctors:

“O Cinecromático é antes de tudo uma superfície cromática antinarrativa por natureza, e que visionariamente anunciava um mundo que ainda estava por vir: O da informação. Isto só foi possível porque Palatnik percebeu radicalmente a questão da não-representação da arte concreta, tal como viria a ser gestada pouco depois no Brasil. O que permitiu ao artista chegar a imaginar uma estrutura como a do Cinecromático foi o fato de que só estava interessado nos elementos irredutíveis da pintura, que são a forma e a cor; ou seja, naquele lugar onde a pintura é só pintura, ou representação de si mesma. Foi essa visão de arte que abriu o caminho para que ele chegasse aos elementos simples, capazes de serem decodificados e transportados para um outro registro de linguagem, que não o da tradição da arte…. Cor é luz e enquanto luz pode ser produzida por lâmpadas elétricas. Mas este fato só passou a fazer sentido quando o artista criou um sistema capaz de informar à máquina do jogo formal das luzes que queria realizar no écran do aparelho para ativar a percepção e atingir os sentidos. Logo, para que o Cinecromático existisse, Palatnik teve de criar um dispositivo de controle que, por meio de uma linguagem binária, pudesse ser por ele informado e a partir daí acendesse e apagasse as lâmpadas, segundo sua ordenação. Quando descobriu essa questão, inventou sua máquina de pintar: o Cinecromático. Este passou a ser, então, o momento inaugural de sua obra, porque foi quando criou a dobra entre as questões da pintura e as questões da mecânica, estabelecendo uma nova espessura para si e para a arte. No lugar da cor química, descobriu que podia “pintar” com cor-luz . No lugar da densidade da tinta, a projeção suave da luz. No lugar do espaço congelado, o movimento criando espaços no tempo. No lugar do corpo, a máquina.”

Márcio Doctors é  Crítico de arte, Curador da Fundaçăo Eva Klabin, onde desenvolve o projeto Respiraçăo, e do espaço de instalaçőes permanentes do Museu do Açude. leia mais sobre cinecromáticos no site: http://www.itaucultural.org.br/